Lembranças nem sempre nos trazem um sentimento
bom, ou talvez algumas me pareçam tristes
porque foram bons momentos que não perduraram.
Eis aqui um lamento que me dói aos poucos,
mas que insistentemente se faz presente.
“deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida
preciso demais desabafar...afinal me dói no peito
uma dor que não é pouca”
Não é sempre que essas lembranças me voltam apesar
de sempre procurá-las de maneira tão infantil e que
a cada vez que faço me ponho de castigo quando
descubro o que procurava sem querer encontrar.
Sabe aquelas coisas que a gente faz pra saber como
anda a vida daquelas pessoas... E certamente a
gente sempre fica sabendo de uma coisa ou outra e
depois disso se sente uma completa idiota de ter
procurado saber algo do qual agora sofremos por saber?!
Porra! Não era isso que buscávamos no começo?
Agora que já sabemos decidimos que foi uma péssima
idéia. Porque não ter essa conclusão preventiva,
então?! Ora!...Quanta dificuldade em escolhas.
Pois bem, tudo isso pra dizer que hoje foi um dia
desse tipo...Procuras inúteis com descobertas
desnecessárias para o meu dia que poderia ter ido
muito bem, (obrigada!) sem saber de nada dessas coisas.
Certos amores persistem em ir existindo enquanto o
tempo mais os leva do que os trás. Eles não querem se
esgotar mesmo quando já findaram e nisso vão seguindo,
vagando e inflando alguma coisa não muito certa aqui
dentro. E os meus pulmões já estão cansados dos suspiros
sem por quê...
"Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta à meu mistério"
Hoje, sentada num banco de ônibus me senti livre.
E logo após ter isso dentro de mim parei de ler os
pensamentos de Lispector e fui me sentir.
Diante daquela janela ao meu lado eu olhei a vida
que seguia alheia à tudo meu, aos meus sentimentos,
aos meus desejos, aos meus pensamentos. Foi algo
que pareceu passar em uma outra dimensão, como
se eu estivesse suspensa e isso me fazia sentir estar
em outro plano. Nenhuma sensação me era muito
certa, um tanto abstrato, até mesmo o vento que me
tocava o rosto e os braços, parecia leve demais e ao
invés de somente passar ele me envolvia por frações
de segundos.
Era um sentimento de liberdade estranho ao me
ver dentro de algo.
Naquele minuto, ou minutos pois não sei exatamente
quanto isso durou, eu fui tomada pela certeza de que
não necessito de nada. Sou livre de necessidades!
E por um instante pensei em olhar a hora e até mexi
na bolsa com a intenção, mas de repente como se
houvesse sofrido uma desconexão eu interrompi
aquilo e pensei que o que menos me importava
naquele momento era ter consciência do tempo.
Um desejo reprimido ou um amor renunciado?
Talvez não seja tão definível assim.
Até porque quando se trata de sentimentos não
acredito que limitar seja o mais apropriado.
Pra ser honesta o que passa pela minha mente
quando penso nisso é que mais do que entender,
compreender o que realmente se enfatiza é a
definição, a lógica, a razão do que está acontecendo,
como se isso fosse o suficiente.
E perde-se mais uma vez a essência em troca da forma.