sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sem apresentações.

"Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno.
Um meio de obter é não procurar, um meio de ter
é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio
que eu creio em mim é resposta à meu mistério"



Hoje, sentada num banco de ônibus me senti livre.
E logo após ter isso dentro de mim parei de ler os
pensamentos de Lispector e fui me sentir.

Diante daquela janela ao meu lado eu olhei a vida
que seguia alheia à tudo meu, aos meus sentimentos,
aos meus desejos, aos meus pensamentos. Foi algo
que pareceu passar em uma outra dimensão, como
se eu estivesse suspensa e isso me fazia sentir estar
em outro plano. Nenhuma sensação me era muito
certa, um tanto abstrato, até mesmo o vento que me
tocava o rosto e os braços, parecia leve demais e ao
invés de somente passar ele me envolvia por frações
de segundos.

Era um sentimento de liberdade estranho ao me
ver dentro de algo.

Naquele minuto, ou minutos pois não sei exatamente
quanto isso durou, eu fui tomada pela certeza de que
não necessito de nada. Sou livre de necessidades!

E por um instante pensei em olhar a hora e até mexi
na bolsa com a intenção, mas de repente como se
houvesse sofrido uma desconexão eu interrompi
aquilo e pensei que o que menos me importava
naquele momento era ter consciência do tempo.

5 comentários:

  1. já aconteceu algo parecido cmg, e por coincidência foi em um ônibus tb, mas ao contrário de você, eu consegui definir o sentimento... era de felicidade plena, leveza e paz de espírito.

    nós somos livres de necessidades,até certo ponto!

    ResponderExcluir
  2. talvez fosse "... era de felicidade plena, leveza e paz de espírito."


    até certo ponto?...
    além das fisiológicas de quais eu preciso?
    =]

    ResponderExcluir
  3. Nossa!
    Em alguns momentos senti que estava no ônibus, passando a mesma situação ou contigo.
    Muito Bom.


    =]

    ResponderExcluir
  4. Evelyn..
    que texto lindo!

    "vocÊ está escrevendo como ninguém.."
    acho que é pq vc tem a sinceridade de poucos. você tem o jeito de contar cotidiano.
    e a gente vai lendo, vai lendo e vai se encaixando nessas suas palavras: simples e reais.

    Parabéns!

    ResponderExcluir
  5. valeeee, Vanessa!
    sabe que adoro tuas poesias
    ditas em poucas palavras.

    ResponderExcluir